30.3.09

Obsolência

Uns tempos atrás eu comprei DVD com entrada usb que roda "DivX", ".avi", essa coisas. Pros leigos, roda filme baixado na internet sem precisar converter. Grava como se fosse um dvd de dados ou, simplesmente, copia o arquivo pro pen drive que roda. Qual o benefício? Em um dvd que você grava um filme, cabem seis nesse formato. Dvd que você gastava meia hora gravando, gasta um minuto copiando pro pen drive. É o que todo preguiçoso sempre quis.

Pessoa preguiçosa que sou, é claro que passei meses copiando pro pen drive. Olha só a praticidade. 1 minutinho pra copiar, pluga no dvd, fim de papo. Só que aí o HD começou a gritar e eu vi que era hora de fazer backup. 

Fui gravando, gravando e foi dando aquela sensação de "meu deus, eu posso ter toda cultura do mundo!!". E fui baixando cada vez mais coisas. Tem coisa que eu nem vi. Baixei, gravei e pensei "um dia eu vejo! o que não tem me faltado é tempo!".

Aí eu lembrei de como eu tinha inveja das pessoas que tinha dois aparelhos de VHS e faziam pirataria com os lançamentos. E eu pensava: "meu deus, eu poderia ver independence day na horaem que eu quisesse!!!!"

E o que elas tem hoje? Um armário cheio de fitas que não servem pra merda nenhuma. E o que eu terei em... dois anos? Uma quase gaveta cheia de dvds que não servirão pra porra nenhuma. E será o mesmo com o bluray. E será o mesmo com o que vier depois. E terei vários armazenadores de dados obsoletos no momento em que meu próprio armazenador de dados estiver definitivamente obsoleto!

E aí que eu não sei como acabar esse texto e vou fechar com a sabedoria popular: tudo na vida é passageiro, menos trocador e motorneiro. Ou então aquela dos Stones: you can't always get what you want. Ou algum dito que sua mãe sempre te disse e você vai pensar enquanto eu saio pela tangente e te deixo com a sensação de que eu finalizei o texto de uma forma eficaz, quando na verdade, eu só enrolei a todos nós.

6.3.09

Citações auto explicativas

(o hífen aí caiu? tinha hífen? tô por fora...)

"Você precisa de todo um lastro possível para não sair voando por aí; você precisa de gente à sua volta, coisas acontecendo, se não a vida vira um filme onde o dinheiro acabou, e não há cenários, nem locações, nem atores coadjuvantes, só um cara sozinho olhando para uma câmera sem nada para fazer e ninguém com quem falar, e quem acreditaria nesse personagem, então? Eu tenho que colocar mais troços, mais tralhas, mais detalhes aqui porque  no momento estou correndo o risco de cair no abismo."

HORNBY, Nick. Alta Fidelidade. Rocco: Rio de Janeiro, 1998. p. 68.

2.3.09

Sobre domingos

Toda vez que o domingo tá acabando, eu tenho a sensação de um fim de churrasco. Sabe? Todo mundo mamado, comendo arroz com farofa e aquela linguiça que foi assada há 3 horas e já tá fria e dura. Criançada chapando de sono, uma friagem que arrepia os ébrios que só vestem sunga e rider. Alguém ensaia uns acordes amadores em um violão desafinado e puxa um samba estilo Fundo de Quintal. O tiozão do churrasco levanta, vira o engradado vazio em que ele estava sentado e batuca como se fosse um bumbo. Um outro ébrio batuca descordenadamente com a chave de carro na mesa de metal. E você fica vendo aquilo ali, sem poder ir embora porque sua carona precisa de umas quatro horas na base da água pra não ser parado na blitz.

Consegue visualizar a cena? Então você percebe o estado es espírito que os domingos me proporcionam.

22.2.09

Salvem as ariranhas!

Quem é de Brasília deve ter lembrado automaticamente da história que sempre era contada em tom ameaçador aos infantes que visitavam o zoo da capital. Pra quem não é, permitam-me contar.

Lá pelo fim dos anos 70, teve um sargento do exército que faleceu em virtude de um ataque de ariranhas. Como, você pergunta? Em um ato de heroísmo - sic -, ele se jogou no fosso dos animais para salvar um menino qualquer que lá estava. Foi atacado pelos bichos e veio a falecer dias depois por infecção generalizada.

É claro que quando você ouve essa história depois de velho, você pensa "puta que pariu, que moleque burro! Que diabos ele tava fazendo no fosso das ariranhas?!". Mas não era assim que a jovem mente de um infante pensava. Eu olhava para aquele pequeno animal e olhava com pavor para a monitora do zoológico, como quem dizia: "essas singelas criaturas foram capazes de matar alguém?!?!". E a monitora era incapaz de desmentir meu pensamento.

O que você aprende no zooógico daqui é o seguinte. Leão? É um gatinho grande. Elefante? Super pacífico. Cobras? Nada venenosas. Ariranhas? Fujam! Elas são assassinas. E elas permanecem a sofrer. Você ainda pode perceber o olhar de hostilidade dos visitantes para esse pobre animal com garras letais.

E qual a situação das ariranhas no século XXI? Estão ameaçadas de extinção!! E você vê a WWF falando sobre isso? Assim, não que eu seja a pessoa mais ecologista do mundo (fim da lista, fácil). Mas eu acho que se até o lobo guará - aquele bicho medonho - tem direito a ser preservado, a ariranha também mereceria! Mas não! Aposto que nenhum menino imbecil invadiu a jaula dos lobos guarás e fez com que eles virassem inimigos da cidade!

Logo, fica aqui o meu apelo. Salvem as ariranhas! Não permitam que a imbecilidade de uma criança - que já tinha lá seus 13 anos, ou seja, foi burra mesmo - condene a sobrevivência dessa adorável espécie.

Assim, salvem vocês. Porque eu sou brasiliense, se eu vejo uma dessas eu saio correndo. Fui doutrinado pra isso.

19.12.08

geek: sintomas

Você percebe que está usando internet demais quando, ao observar o mundo real de dentro de um avião em vôo, você sente falta das legendas do Google Maps.

20.11.08

Como ser desagradável

(post de idos de 2004. recordar é viver...)

- Ai, que filme maravilhoso! (O Garoto, Charles Chaplin)
- É, interessante...
- Ai, esse garotinho é tão lindo!
- ...
- ...
- Esse filme é de 1923.
- E daí? 
- Ele devia ter uns 5 anos no filme. Se ele estiver vivo, ele tem 86 anos!
- Eu estou falando do garotinho no filme
- Deve estar careca, orelhudo e todo enrugado!
- ... no filme!
- Deve estar jogando buraco em alguma praça!
- ...
- Deve estar empacando alguma fila preferencial de super mercado!
- ...
- Deve estar comemorando a reabertura dos bingos!
- ...
- ...
- ... você acaba com toda a magia do cinema mudo...
- Você também é um doce de pessoa...

19.11.08

Plantão televisivo

Vai ter Brasil x Portugal aqui em Brasília. 50 milhões investidos em um estádio em uma cidade que tem muito mais carências. Úm estádio de primeiro mundo para um time de terceira divisão. Uma beleza de estádio que não vai ser o principal da cidade. Enfim, muitos são os problemas. Mas nem é disso que eu quero falar.

O negócio é que não se fala em outra coisa na cidade tem uns três dias. Aí tô eu de bobeira em casa na segunda feira e me aparece "Plantão DFTV". Tá certo que é DFTV, mas ainda assim. Plantão dá a idéia de furo de reportagem, não é? Algo tão noticiável que não pode esperar o jornal local! E Pedro se prepara pra bomba.

Sabe o que era? Um repórter parado na frente do portão de desembarque do aeroporto dizendo algo como "o avião da seleção chega as 22h!".

Porra, plantão não serve pra isso! Se o avião chegar ou não, a vida continua! Não se usa o plantão em vão! Plantão é só pra morte/acidentes com celebridades ou quando morrem mais de 50 pessoas ao mesmo tempo! "Avião da seleção cai!" Isso sim é digno de plantão. Várias celebridades morrendo em um acidente! Mas não. O avião chegou. É o que se espera, não é? Se o Plantão é regional, nunca se sabe. Nada acontece regionalmente que mereça plantão regional. Dava pra esperar o telejornal local pra noticiar isso e não me fazer esperar pelo pior!

Enfim, triste o mal uso do plantão. Consegue ser pior do que tudo que esse jogo envolve. Quer dizer, quase tudo. Talvez seja um pouco menos ruim do que a seleção do Dunga.

12.10.08

Comentários avulsos

- Tá tendo Copa do Mundo de Futsal aqui em Brasília. Copa do Mundo! Copa da Fifa! Mas a Globo dá muito mais destaque para a grandiosíssima Copa Brasília de Futsal Globo/SESC. Tipo, cada cidade tem seu time. Como selecionam? Não faço a menor idéia. Certamente é um catadão de conhecidos de conhecidos de quem trabalha na Globo, um campeonato de peladas de grife. E tem muito mais espaço na mídia do que a COPA DO MUNDO! Vai entender...

- Não adianta, industriais do papel higiênico. Por mais que vocês tentem associar suas respectivas marcas com aspectos agradáveis/cheiroso da natureza, como flores e filhotes de cachorro, é inevitável pensar no estado final do produto. Eu olho pro cachorrinho na embalagem, olho pro cachorrinho em relevo no papel e sinto o pesar antecipado... Vocês entendem o que quero dizer, não? Não quero ser obrigado a aprofundar nessa temática escatológica.

- Ônibus circular é um conceito universal, não é mesmo? Procurei no Google e não achei nada muito preciso. Enfim, eu sempre tive a impressão de que o ônibus circular fosse uma linha um tanto quanto extensa, mas que tinha o benefício de estar constantemente em circulação, diferentemente das linhas convencionais que saem do ponto x e param em ponto y. Pois aqui em Brasília o circular pára! Por uns vinte minutos! No meio do nada! Quase perdi uma prova por conta dessa "novidade" no conceito de circular. Reflitam, ok?

- Todo mundo fala que o "Let's Get It On" é o melhor álbum "sexual" do Marvin Gaye, mas eu não desmereceria o valor do "I Want You", que é da mesma essência mas tem uma pegada mais disco. O disco "bom", não o disco "village people". Não vou dizer que é melhor, mas merece ter seu valor reconhecido; Fica a dica para quem interessar.

- Isso aqui já foi mais movimentado, não é mesmo? É a crise. Mas eu não quero falar sobre isso agora. Dizem que passa. E um certo ex-presidente dizia que com a crise se cresce. Nem que seja pros lados. Namastê.

28.9.08

Chorem, bossanovistas!

Estou terminando de ler o livro do Paulo César de Araújo, "Eu não sou cachorro não - música popular cafona e ditadura militar". Muito bom, recomendo. Em um dos capítulos finais, ele critica a postura de determinados autores em relação à historiografia da MPB: José Ramos Tinhorão e Ruy Castro. O primeiro por criticar tudo que era e/ou veio da Bossa Nova. O segundo por criticar tudo que não era Bossa Nova.

Bossa Nova é um ritmo interessante, mas o fã de Bossa Nova consegue ser mais chato que um fã de Beatles. Consegue ser mais chato que qualquer fã de qualquer coisa. É de um purismo insuportável. Bossa Nova é de deus. O que veio depois é heresia. Deveriamos todos tocar Bossa Nova desde então e louvar como a paisagem carioca é admirável.

Tive que ler trechos do livro do Ruy Castro (Chega de Saudade) para a monografia e achei chato pra caralho. Bela bosta, ser um movimento revolucionário e ficar trancado num três quartos a beira mar. Ainda bem que eles não conseguiram trancafiar isso e o ritmo influenciou milhares e milhares. Mas o desprezo com que ele se refere a qualquer coisa que não seja Bossa Nova é algo digno de vergonha alheia pela cegueira fanática.

Outro chato é o José Trajano, da ESPN Brasil. O cara me dirige um canal de esportes e me para cinco minutos do programa mais nobre com o que ele chama de "momento musical". Aí ficam cinco babacas sentados ouvindo um disco que o Trajano julga bom - e que nunca deixou de ser e sempre será Bossa Nova. Tô criticando o ritmo? Não. Eu gosto, apesar de não ser um profundo conhecedor. Mas daí a você me sugerir que isso foi a única coisa boa que aconteceu no cenário musical do século XX, é uma baita de uma estupidez.

E por que eu estou escrevendo isso? Porque nesse exato momento a Globo transmite o show especial de 50 anos da Bossa Nova. E quem são os principais convidados? Caetano Veloso e Roberto Carlos. Dois caras para quem os bossanovistas sempre cagaram e andaram. E agora, no cinquentenário do ritmo, tão empunhando o microfone. E não deixa de ser justo. Afinal, Bossa Nova foi algo que marcou e influenciou a vida e carreira de ambos.

Não importa se Trajano e Castro mais meia dúzia de puristas chatos se juntarem num apê com janela pro Corcovado e celebrar o cinquentenário do bebê deles. O que vai ficar pro povo em geral é o Rei e Caetano liderando todo processo. Por deus, deve doer na alma. Deve ser mais ou menos como ver o seu rival ganhar uma libertadores no seu estádio. 

Logo, sinto muito. Vocês tentaram guardar a Bossa Nova na gaveta, mas ela não coube ali e foi bombar mundo afora. Permitam que eles cantem. Tem seu quê de irônico e hilário.

17.9.08

Amor maternal

"Eu saio de viagem, deixo meu filho em casa e, quando volto, encontro esse bicho... Tá parecendo o Rolo!"

MÃE, Minha: sobre o um mês sem cortar os cabelos ou fazer a barba.

Ela entenderá quando ver me volumoso (sic) bigode a desfilar pela capital!